Conheça os Catadores

Estes são os participantes beneficiados pelo projeto atualmente, residem na região de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. A meta para 2017 é que tenhamos 50 participantes cadastrados até o final do ano:

 

 

catador_joseJosé João de Oliveira
Nascido no Ceará em 1953, veio para São Paulo em busca de uma vida melhor. Trabalhou 22 anos em gráficas, com fotolitos. É motorista, mas o trânsito de São Paulo o desanima. Diz que trabalhar com reciclagem é complicado, porque muita gente não paga o catador para tirar o entulho, mas paga o gari, o que é ilegal, e afirma que muitos fazem isso, mas que, diferente dele, tem carteira assinada, direitos trabalhistas. Os filhos querem que ele pare de trabalhar e se aposente, mas segundo ele, “não pode e não consegue”. Está pagando o INSS para tentar se aposentar, e diz que “ninguém dá oportunidade de trabalho para quem não tem estudo”. Já teve carro, uns “paus veios”, (1 perua,1 fusca e 2 opalas). Acredita que precisa melhorar, e têm como sonho se aposentar, para poder passear e continuar fazendo algo que gosta. Tem vontade de comprar um sitio e sair de São Paulo, pois não gosta da cidade.

catador_cidaMaria Aparecida do Conceição
Nasceu no Piauí em 1961, e veio para São Paulo com 15 anos. Ao chegar na cidade, foi vítima de um atropelamento e devido as sequelas deixadas pelo acidente, hoje em dia não consegue encontrar um outro trabalho. Vivia com a mãe, os irmãos e os padrasto, mas com o passar dos anos os primeiros integrantes da família foram falecendo. É mãe e avó, teve 2 filhos, mas um deles veio a falecer em 2014. O outro, mais velho, hoje tem 34 anos. Ela diz viver sozinha em casa, pois o filho a despreza. Sofre com a morte do filho que perdeu, vitimado pelas drogas. Diz que as pessoas a criticam, a chamam de “lixeira”, fazem comentários maldosos, mas ela não liga, pois é o ganha pão dela. Considera importante e honesto o trabalho como catadora, e diz que os “políticos não dão atenção para as pessoas carentes”. Lembra que o filho mais novo, quando vivo, passou por necessidades junto com ela. Gosta de assistir televisão no tempo livre, e ouvir rádio. Quando não sente dor, vai à igreja, faz a coleta dos materiais e vai visitar o netinho. Diz que, depois que o filho se foi, os sonhos acabaram, e que agora só quer ter saúde para ver o neto crescer.

catador_ribamarJosé Ribamar Goiano da Silva
Natural do Maranhão, nascido em 1960, veio para em São Paulo em 1980. É casado e tem 4 filhos. Em seu primeiro emprego na capital paulista, trabalhou como faxineiro e depois, por 26 anos, desempenhou a função de mensageiro numa escola. A falta de oportunidades no mercado de trabalho o transformou em catador e, segundo afirma, “tem dias que são bons e outros não tão bons, principalmente em dias de chuva”. É feliz, gosta de ouvir música, (de preferência um forró), não se arrepende de ser um catador, e sua família apoia o trabalho que faz. Afirma também que “na rua tem muito preconceito. Tem muita gente que nos desrespeita”. Não têm fé nos nossos políticos, e sonha em arrumar um emprego novamente.

catador_elzaElza Alves da Silva
Nascida em Alagoas no ano de 1964, veio para São Paulo com 5 anos de idade, e já trabalhou como babá e empregada doméstica. Com vinte e cinco anos conheceu o Wagner, que também é catador. Os dois têm 3 filhos, e assim como o seu companheiro, sonha com um lugar melhor para morar. Têm diabetes, e devido as dores que sente e ao preconceito das pessoas, não têm conseguido encontrar mais trabalho como babá ou doméstica. Coleta apenas latinhas de alumínio, por terem um valor maior de venda e por serem mais fáceis de transportar em sacolas. Afirma que “algumas pessoas têm preconceito com o trabalho de catador”, mas considera importante o que faz. Acredita no futuro do país, mas não na classe política atual. Mora com a filha de 17 anos e o marido Wagner.

catador_wagnerWagner Marques de Oliveira
É natural de São Paulo, tendo nascido em 1972, e onde viveu até os 10 anos de idade. Depois, acabou indo para Americana e lá ficou por cinco anos, mas voltou para a capital e começou a trabalhar com reciclagem de materiais. Se “arranjou” com a esposa (Elza), e até hoje trabalha como catador. Segundo diz, existem lojistas que os colocam para fora de seus estabelecimentos, e chamam os catadores de “catadores de lixo”, devido ao fato de alguns catadores chegarem aos locais para coletarem materiais reciclados sem tomar banho. Acha o trabalho importante, pois enxerga a si e aos demais catadores como “formiguinhas que limpam as ruas aos poucos”. Considera a nossa classe política “uma porcaria”, e diz que “se continuar essa ladroeira, não tem futuro”. Gosta de ouvir música (Sérgio Reis, Pardinho e Pardal, Chitãozinho e Xororó, música caipira em geral, além de Amado Batista, e um forró), e de tomar uma caipirinha aos fins de semana. Sonha em sair do local onde vive, e de possuir uma casa com melhores condições para a filha e a companheira Elza.

catador_adelinoAdelino Neres de Santana
É natural de Minas Gerais, nascido no ano de 1947. No ano de 1961, decidiu deixar sua terra natal em busca de oportunidades, e se dirige para São Paulo. É pai de 4 filhos, separou-se em 1994, e hoje vive apenas com o filho mais velho. Trabalhou em diversas empresas em várias funções, tendo como último emprego registrado o trabalho no Habibs do Shopping Aricanduva, tendo exercido suas funções por oito anos. No ano de 2000 sai do Habibs, mas a falta de oportunidades o leva a trabalhar como catador de papelão. Afirma que a maior dificuldade é lidar com o peso do carrinho, mas que mesmo com esse problema, se sente bem em sua função de catador frente a sociedade. Diz entender “mais ou menos” a importância do seu trabalho, pois afirma saber que contribui com a cidade, ajudando a lidar com o problema dos resíduos. “O lixo” afirma “eu recolho, e tenho orgulho do que faço.” Seus filhos apoiam o seu trabalho. Acredita no futuro do Brasil, apesar de não ter muita fé nisso. Diz que é “difícil confiar nas pessoas”.

catador_pauloPaulo Henrique de Lima
Nasceu em Pernambuco em 1957, e veio pra São Paulo em 1976, onde se tornou operário, tendo trabalhado em seis metalúrgicas. Em 2010 ficou desempregado e começou a coletar latas de alumínio e a fazer “bicos” como pedreiro. Afirma que a maior dificuldade na coleta é carregar peso, e que acha difícil coletar os materiais quando chove. Considera importante o trabalho que faz, e diz que é necessário “ser humilde”. Sobre o Brasil, e os políticos, ele diz que fica num “meio termo”. É hipertenso, solteiro, e lembra que quando era mais novo, frequentava alguns bailes, mas que não vai mais por causa da violência. Gosta de assistir futebol, é torcedor do Corinthians, mas diz não ser “fanático”.

catador_vanderleyVanderlei Merauda Gonçalves
Nascido nas Minas Gerais em 1963, veio para São Paulo com 8 anos e sempre trabalhou na indústria. Devido à falta de oportunidades no mercado de trabalho, e segundo diz, “para não roubar”, decidiu se tornar um catador de papelão. Diz que se dá bem com o serviço que faz e quando o dia é bom, descansa mais cedo. A esposa o apoia, mas afirma que sofre preconceito em todo canto. Não liga para o que os outros pensam, e considera o trabalho dele importante e honesto, porque “limpa o meio ambiente”. Não sente vergonha de mexer no lixo, e diz que muita gente não tem consciência, pois “jogam garrafas PET no rio causando enchente” e não ajudam ele. Espera que o Brasil venha a melhorar no futuro, gosta de assistir um futebol, e torce para o Corinthians.

catador_zecarlosJosé Carlos Netto (in memoriam)
Nascido na cidade de São Paulo em 1956, começou a coletar papel por não conseguir um emprego. Faz sete anos que trabalha com reciclagem, e diz perceber o preconceito que as pessoas tem” as pessoas olham para a gente sujo e “catando lixo” e demonstram o preconceito”, afirma. Acredita que existe uma “disputa injusta”, pois as cooperativas montadas pela prefeitura passam pelas ruas com caminhões antes dos catadores, e coletam os melhores materiais recicláveis. Não considera importante o serviço que faz, pois acha que é “apenas sobrevivência”. Na sua opinião, “se eles não catarem (as cooperativas), os caminhões de lixo passam e catam, somos insignificantes”. Diz também que “a maioria das pessoas não tem educação”. Não tem contato com o resto da família por ter vergonha, pois eles são “bem de vida”, são advogados. Segundo afirma, os familiares moram próximo a ele, mas a 30 anos não os vê. Só vive com a mulher e os filhos. O Brasil, segundo o que acredita, é “motivo de piada”, é o “país da hipocrisia”, e que até na igreja é assim “fui, eu e minha esposa na igreja, eles vinham abraçando, dizendo: irmão, irmã, mas quando nos viam na rua coletando material reciclável, eles faziam de conta que não nos conheciam”. Diz que não tem hobby, que é diabético e enxerga mal, e que tem um problema no joelho. Gosta de ouvir rock (U2, Led Zeppelin). Diz não ter mais sonhos, e nada que queira realizar. Também não se arrepende de nada. ESTE CATADOR FALECEU, INFARTO FULMINANTE.